
O vírus sincicial respiratório (VSR) é a causa mais comum de bronquiolite, pneumonia e de hospitalização em crianças menores de 1 ano de idade, sendo associado a sequelas respiratórias de longo prazo. Ressaltando que 80% dos casos de internação por VSR ocorre em bebês sem fatores de risco prévio.
A sazonalidade (temporada com maior número de casos) desta doença no RS é de março a setembro, e o estado tem enfrentado números elevados de casos de bronquiolite por VSR em bebês nos últimos anos.
Felizmente, contamos atualmente com algumas possibilidades de prevenção às infecções pelo VSR:
Acompanhe a seguir as respostas a algumas das perguntas mais comuns sobre esta estratégia de prevenção:
A gestante recebe a vacina e começa a produzir os anticorpos contra o vírus VSR, que é o principal causador da bronquiolite. Estes anticorpos são transferidos ao bebê através da corrente circulatória, e o bebê nasce com esta proteção, que fica elevada por 4 a 6 meses. Por isso, é importante que a vacina seja aplicada logo que possível (32 semanas ou menos em gestações de risco), para dar tempo da mãe produzir uma quantidade elevada de anticorpos para transmitir ao bebê.
O sistema imunológico do bebê recém-nascido não é capaz de reconhecer a vacina e produzir anticorpos, por isso ele precisa receber os anticorpos prontos, e existem dois caminhos para isso acontecer: a mãe ser vacinada, e/ou o bebê receber diretamente um produto que consiste em anticorpos prontos contra o vírus VSR, o Nirsevimabe (ou Beyfortus, talvez mais conhecido pelo nome comercial). Este produto é conhecido como vacina, mas não é exatamente uma vacina, pois o bebê não produz os próprios anticorpos, e sim recebe-os prontos.
Idealmente, esta avaliação deve ser feita de maneira criteriosa, e considerando cada situação. Todas as gestantes devem ser vacinadas, praticamente não há contraindicações, e isso garante que o bebê nasça com alguma quantidade de anticorpos circulando, ou seja, com algum grau de proteção.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a aplicação do Nirsevimabe em todos os bebês recém-nascidos na primeira sazonalidade da doença, mesmo que a mãe tenha sido vacinada, este seria o cenário ideal. Na prática, a Agência Nacional de Saúde incluiu para o SUS e para os planos de saúde a aplicação a todos os bebês prematuros (<37 sem), e aos que preenchem alguns critérios, como algumas condições respiratórias e cardíacas, síndrome de Down e outras condições. Para os bebês que não se enquadram nestes critérios, a utilização do Nirsevimabe continua sendo extremamente benéfica, e pode ser aplicado sempre que a família desejar e/ou o pediatra recomendar. Afinal, em torno de 80% das internações por VSR ocorrem em bebês sem fatores de risco prévios. Por isso, é muito importante conversar sobre isso com o pediatra, de preferência antes do nascimento ou logo após.
A melhor estratégia de prevenção sempre será: gestante vacinada + bebê recebendo o anticorpo ao nascer ou no início da sazonalidade.
Os anticorpos ficam circulantes no bebê em níveis elevados por aprox. 4 meses, começando a decair a partir de então. Considera-se que a proteção é efetiva ainda até o quinto ou sexto mês. A utilização de uma nova dose depende de alguns fatores:
É um produto extremamente seguro, formulado para bebês recém-nascidos. Como os anticorpos já estão prontos, não ocorre ativação do sistema imunológico, então as reações após a aplicação são bastante raras.
A Abrysvo é uma vacina com excelente perfil de segurança, testada em gestantes, e comprovadamente segura para o uso proposto. Praticamente não existem contraindicações, você pode utilizar sem medo durante a gestação, não há riscos para o bebê. Como para todas as vacinas, pode ocorrer reações leves após a aplicação, como dor local, dor no corpo, febre baixa, mas são sintomas leves e auto-limitados.
Observação importante: para atingir o efeito máximo da imunização materna, a aplicação deve ser feita idealmente logo ao completar 32 semanas, e não ao final da gestação.
É importante esclarecer também que o VSR é o principal, mas não é o único vírus causador de bronquiolite, vírus como Influenza, Rinovírus e outros podem ser a causa da doença também.
Além da imunização, é muito fundamental reforçar também as medidas gerais de prevenção a infecções em RN, como:
Cada bebê e a situação de cada família devem ser avaliados individualmente, por isso, conversar com profissionais atualizados e de confiança é fundamental para a melhor escolha. A equipe da Salus está sempre à disposição para esclarecer as tuas dúvidas e orientar as melhores indicações.