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A melhor estratégia de prevenção contra bronquiolite em bebês

5 de maio de 2026

O vírus sincicial respiratório (VSR) é a causa mais comum de bronquiolite, pneumonia e de hospitalização em crianças menores de 1 ano de idade, sendo associado a sequelas respiratórias de longo prazo. Ressaltando que 80% dos casos de internação por VSR ocorre em bebês sem fatores de risco prévio.

A sazonalidade (temporada com maior número de casos) desta doença no RS é de março a setembro, e o estado tem enfrentado números elevados de casos de bronquiolite por VSR em bebês nos últimos anos.

Felizmente, contamos atualmente com algumas possibilidades de prevenção às infecções pelo VSR:

  • Vacina contra VSR para a gestante: deve ser aplicada durante a gestação, de preferência nas 32 semanas, para proteger o bebê. Observou-se eficácia de 81,8% na prevenção de doença grave do trato respiratório inferior por VSR em bebês de até 3 meses de idade e eficácia de 69,4% até os 6 meses de vida.
  • Nirsevimabe (Beyfortus) para aplicação no bebê: indicado para todos os bebês ao nascimento ou no início da primeira sazonalidade. É um anticorpo pronto, com duração de ação de 4 a 6 meses. A eficácia para prevenção de hospitalizações por infecção do trato respiratório inferior por VSR em bebês foi de 77,3%.

Acompanhe a seguir as respostas a algumas das perguntas mais comuns sobre esta estratégia de prevenção:

De que maneira a vacina que a gestante recebe vai proteger o bebê?

A gestante recebe a vacina e começa a produzir os anticorpos contra o vírus VSR, que é o principal causador da bronquiolite. Estes anticorpos são transferidos ao bebê através da corrente circulatória, e o bebê nasce com esta proteção, que fica elevada por 4 a 6 meses. Por isso, é importante que a vacina seja aplicada logo que possível (32 semanas ou menos em gestações de risco), para dar tempo da mãe produzir uma quantidade elevada de anticorpos para transmitir ao bebê.

Não seria melhor aplicar somente a vacina no bebê recém-nascido?

O sistema imunológico do bebê recém-nascido não é capaz de reconhecer a vacina e produzir anticorpos, por isso ele precisa receber os anticorpos prontos, e existem dois caminhos para isso acontecer: a mãe ser vacinada, e/ou o bebê receber diretamente um produto que consiste em anticorpos prontos contra o vírus VSR, o Nirsevimabe (ou Beyfortus, talvez mais conhecido pelo nome comercial). Este produto é conhecido como vacina, mas não é exatamente uma vacina, pois o bebê não produz os próprios anticorpos, e sim recebe-os prontos.

Então é possível escolher entre aplicar a vacina na gestante ou aplicar o anticorpo no bebê?

Idealmente, esta avaliação deve ser feita de maneira criteriosa, e considerando cada situação. Todas as gestantes devem ser vacinadas, praticamente não há contraindicações, e isso garante que o bebê nasça com alguma quantidade de anticorpos circulando, ou seja, com algum grau de proteção.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda a aplicação do Nirsevimabe em todos os bebês recém-nascidos na primeira sazonalidade da doença, mesmo que a mãe tenha sido vacinada, este seria o cenário ideal. Na prática, a Agência Nacional de Saúde incluiu para o SUS e para os planos de saúde a aplicação a todos os bebês prematuros (<37 sem), e aos que preenchem alguns critérios, como algumas condições respiratórias e cardíacas, síndrome de Down e outras condições. Para os bebês que não se enquadram nestes critérios, a utilização do Nirsevimabe continua sendo extremamente benéfica, e pode ser aplicado sempre que a família desejar e/ou o pediatra recomendar. Afinal, em torno de 80% das internações por VSR ocorrem em bebês sem fatores de risco prévios. Por isso, é muito importante conversar sobre isso com o pediatra, de preferência antes do nascimento ou logo após.

A melhor estratégia de prevenção sempre será: gestante vacinada + bebê recebendo o anticorpo ao nascer ou no início da sazonalidade.

O anticorpo do bebê deve ser repetido, tem reforço?

Os anticorpos ficam circulantes no bebê em níveis elevados por aprox. 4 meses, começando a decair a partir de então. Considera-se que a proteção é efetiva ainda até o quinto ou sexto mês. A utilização de uma nova dose depende de alguns fatores:

  • A sazonalidade do VSR no Sul do Brasil vai de março a setembro, mais ou menos. Embora casos de bronquiolite ocorram durante todo o ano, este período concentra o maior número de casos e merece atenção redobrada.
  • O maior risco de doença grave pelo VSR é no período em que o bebê vive a sua primeira temporada de VSR (primeira sazonalidade).
  • Para os bebês em geral, uma única aplicação, de preferência no início da sazonalidade, é suficiente para proteger o bebê pelo período em que está em maior risco de doença grave, mas uma segunda dose pode ser recomendada a critério médico ou por vontade da família, na segunda sazonalidade, desde que antes dos 2 anos de idade.

Pode ocorrer reação com o uso do anticorpo no bebê, como é a segurança?

É um produto extremamente seguro, formulado para bebês recém-nascidos. Como os anticorpos já estão prontos, não ocorre ativação do sistema imunológico, então as reações após a aplicação são bastante raras.

E a vacina da gestante traz algum risco?

A Abrysvo é uma vacina com excelente perfil de segurança, testada em gestantes, e comprovadamente segura para o uso proposto. Praticamente não existem contraindicações, você pode utilizar sem medo durante a gestação, não há riscos para o bebê. Como para todas as vacinas, pode ocorrer reações leves após a aplicação, como dor local, dor no corpo, febre baixa, mas são sintomas leves e auto-limitados.

Observação importante: para atingir o efeito máximo da imunização materna, a aplicação deve ser feita idealmente logo ao completar 32 semanas, e não ao final da gestação.

É importante esclarecer também que o VSR é o principal, mas não é o único vírus causador de bronquiolite, vírus como Influenza, Rinovírus e outros podem ser a causa da doença também.

Além da imunização, é muito fundamental reforçar também as medidas gerais de prevenção a infecções em RN, como:

  • Reforçar lavagem de mãos e cuidados gerais de higiene
  • Todas as pessoas devem evitar contato com o bebê sempre que houver qualquer sintoma (mesmo leve) ou sempre tiverem tido contato com alguém resfriado ou gripado – o VSR causa resfriado leve em um adulto ou criança, mas pode ser muito grave em um bebê pequeno
  • Pessoas da convivência do bebê devem se vacinar para Influenza, COVID, VSR e outras doenças imunopreveníveis

Cada bebê e a situação de cada família devem ser avaliados individualmente, por isso, conversar com profissionais atualizados e de confiança é fundamental para a melhor escolha. A equipe da Salus está sempre à disposição para esclarecer as tuas dúvidas e orientar as melhores indicações.

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Referências:

  1. KAMPMANN B, MADHI SA, MUNJAL I, ET AL. BIVALENT PREFUSION F VACCINE IN PREGNANCY TO PREVENT RSV ILLNESS IN INFANTS. N ENGL J MED. 2023;388(16):1451–64.
  2. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DIRETRIZES PARA TRANSIÇÃO DE USO DO PALIVIZUMABE PARA O NIRSEVIMABE. BRASÍLIA: MINISTÉRIO DA SAÚDE; 2026.
  3. HAMMITT LL, DAGAN R, YUAN Y, ET AL. NIRSEVIMAB FOR PREVENTION OF RSV IN HEALTHY LATE-PRETERM AND TERM INFANTS. N ENGL J MED. 2022;386(9):837–46.
  4. NOTA TÉCNICA CONJUNTA | Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) Guia rápido para uso de imunizantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR) , 2026

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